domingo, 4 de abril de 2010

Glória Maria volta à TV depois de dois anos e fala da felicidade de ser mãe

RIO - Menos de um minuto. Esse foi o tempo que demorou para que Glória Maria falasse das filhas, as irmãs Maria, de 2 anos e 2 meses, e Laura, apenas 1 ano mais nova. A pauta desta entrevista era sobre o retorno da jornalista à TV depois de dois anos fora do ar. Mas como resistir à mãe coruja que, sem dar chance alguma ao interlocutor, dispara frases como: "Elas transformaram minha vida de uma maneira tão linda. Nunca estive tão feliz". Durante a conversa, Glória, jornalista com 35 anos de TV Globo e dona de vários títulos, entre eles o de primeira repórter negra a empunhar um microfone na televisão brasileira, falou de tudo: do doloroso processo de adoção das crianças, das descobertas da maternidade, dos bastidores de sua saída do "Fantástico", da famosa mania de cremes e pílulas que prometem juventude eterna... E da volta.

Na sexta-feira, dia 9, ela começa uma nova fase na carreira, agora à frente de matérias especiais no "Globo Repórter". Em sua estreia, uma reportagem produzida em Brunei, na Ásia, cheia de "aventura, emoção, comportamento, luxo, fé, suntuosidade...". Ou seja, a cara de Glória Maria.

O GLOBO: Como foi este período fora da TV (Glória está longe desde janeiro de 2008)?

GLÓRIA MARIA: Eu estava cansada. Apresentava o "Fantástico" há 10 anos e vinha de mais de 30 anos de trabalho. Sempre adorei crianças e quando peguei um tempo para mim, decidi que queria trabalhar com menores abandonados.

E como foi este trabalho?

GLÓRIA: Primeiro eu fui para a Nigéria, um país para onde eu já havia viajado a trabalho e tido uma das piores experiências da minha vida. Fiquei lá sozinha, dois meses, e vi várias crianças precisando de ajuda. Então, em novembro de 2008, o Nelson Chamma, marido da Silvia Pfeifer, me convidou para fazer um trabalho voluntário com monges e mendigos na Índia. Aí foi uma experiência maravilhosa... E foi quando pensei que queria fazer alguma coisa pelas crianças também. Voltei para o Brasil com a cabeça a mil e em janeiro do ano passado fui trabalhar em Salvador. Se fizesse alguma coisa em São Paulo ou no Rio ia parecer que eu queria mídia.

Foi lá que você conheceu a Maria e a Laura...

GLÓRIA: Isso. Fui ao Juizado de Menores e disse que queria fazer trabalho voluntário. Falei que não queria dar dinheiro, mas cuidar, dar banho, amor, tempo, limpar cocô... Então me deram uma relação de seis abrigos. Quando cheguei ao quinto abrigo, de repente apareceu uma menininha do nada, toda sujinha, de fraldinha, engatinhando. Eu olhei para ela, ela para mim, e eu falei: "Minha vida mudou. Alguma coisa aconteceu com a minha alma". Não posso explicar, mas sei que ali mudou. Era a Maria.

E a Laura?

GLÓRIA: A Maria chegou primeiro ao abrigo, em dezembro. Depois veio Laura, em janeiro, mas ninguém sabia que elas eram irmãs. Eu não ia adotar duas crianças, mas quando fui fazer o levantamento sobre a situação da Maria, o parentesco. Quando vi, estava apaixonada e brigando pelas duas.

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